INTRODUÇAO


Estão escondidos na aurora alguns dos melhores momentos para o contato íntimo com nosso interior. Alvorada – O Despertar da Alma vai revelar, aos poucos, as experiências de 22 pessoas, na busca de estabelecer uma relação mais profunda, clara e amorosa consigo mesmas. Num gesto de boa vontade ao serviço impessoal à vida e de esforço consciente para encontrar a via de serviço do Ser aos demais. Entre nessa aventura, também...

31/07/2009

REFLEXOES I

Para realizar esta postagem, li e reli diferentes textos do REFLEXOES I, uma das participacoes de Caci Sassi no Alvorada - O Despertar da Alma.

Sao verdadeiras joias.

A criatividade, o rico movimento mental, a variedade dos temas e de perspectivas de abordagem dos assuntos... Uma beleza...

Abaixo transcrevo dois dos temas que a autora abordou:


Todos os pensamentos podem ser transformados em filmes, visualizados na tela mental.

Desta forma é mais fácil perceber como repetimos, inúmeras vezes, o mesmo filme, sem nos darmos conta.

Ver os pensamentos como filmes facilita a compreensão de seu aspecto fictício, de sua localização no tempo, da sua intromissão no espaço.

Filmes que foram vividos no passado, intrometendo-se no presente, “voltando a acontecer” apenas através de nossa mente.

Filmes que se interpõem ocupando a tela, impedindo-nos de ver o filme presente, aqui e agora.

Sem dúvida, freqüentemente, ficamos presos a filmes de nossas vidas como se fossem reais. Como se estivessem “passando” neste momento. Mas não é real!

Certa ocasião me dei conta que estava repassando um “filme” de briga em minha tela mental. Já ia “reprisar” o filme pela décima vez quando percebi que ali, diante de meus olhos, descortinava-se um filme real bem diferente.

Estava viajando de carro pelo campo e a realidade me apresentava cenas belíssimas, com muito verde, lagoas, o gado pastando, a vegetação lavada pela chuva...

Passando os “filmes” de um só dia verifiquei o quanto era possível reviver o incômodo de várias situações ou aumentar o nível de ansiedade passando cenas hipotéticas de coisas que eu teria que fazer mais tarde ou mais adiante. “Antecipando filmes”! Que máquina sofisticada a minha!

O que uma briga ocorrida de manhã ou coisas que vou fazer mais tarde têm a ver com este ponto do dia?

Somos capazes de passar horas vendo velhos filmes ou inventando cenas do futuro, num círculo vicioso. O bom senso dita que um certo equilíbrio é desejável em relação a qualquer hábito.

Penso que o Pai deve ter uma enorme coleção de filmes de nossas vidas. Filmes do que Ele próprio vê, e filmes projetados pelos olhos de seus bilhões de filhos.

Outro pensamento que me ocorre é que o filme que Ele vê, é o mesmo que podemos ver, mas sem a carga de emoções, identificações, defeitos e sombras que enxergamos. Cópia mal feita.

O filme visto do Pai deve ser a realidade real, um prisma absolutamente puro. Creio que parte dessa realidade está à nossa frente. E como o Pai se esforça, Manifestando-Se sempre, diante de nós, para que vejamos o filme atual em todo seu resplendor.

Hoje, desejei conhecer um pouco mais de Sua Cinemateca


Segue este outro texto de modo que possam provar um pouco do que afirmei acima:

Às vezes repito que Deus é Amor sabendo que não estou compreendendo.
Isto porque só estou “racionalizando”.
O sábio e o tolo estão dentro de mim e podem manifestar-se a toda hora.
É bom que eu me lembre disso, no momento em que o tolo comece com sua ladainha:

“- quero sentir, quero saber, quero iluminar-me”.

Lembrar que o sábio Está em mim. E que basta Sê-lo para Estar em Nível de Consciência Elevada.

Não creio ser impossível conseguir o que quero.

Deixo muitas idéias confusas intrometerem-se e acabo me tornando confusa com elas.

O que quero - e é muito bom fazer esta reafirmação - é Ser um SER de AMOR.

Sei que isto é inerente ao SER pois o Pai Está.

Quero conduzir-me com Ele em direção a uma possibilidade maior de servir, e a cada vez um melhor serviço.

Vejo que há possibilidade de servir bem com o que tenho mas, quero me abrir mais para as demais situações, fazendo cair por terra cada limitação que encontre. Isto é o que quero.

Continuar caminhando e vivendo as “aventuras” que o Pai em mim ditar:

Pela consolidação da unificação planetária e sua elevação quadridimensional.
Pela regência do Amor, o florescimento da Verdade, da Ordem e da Justiça.

Pela evolução do Planeta em seu novo Círculo-Sistema-Irmão.

Trocar as possibilidades de conflitos pela possibilidade de surpresas:

ao invés de diferenças, multiplicidade;
ao invés de incompreensões, clareza;
ao invés de competição, trabalho conjunto;
ao invés de luta de poder, força do amor;
ao invés de confusão, decisão;
ao invés de incertezas, harmonia;
ao invés de rebeldia, obediência iluminada;
ao invés de tempo sem espaço, ou espaço sem tempo, infinitude...




15/07/2009

Apresentando Caci Sassi


Caci Sassi,

Grande irmã.

É naturalmente solidária e participativa.

Caci não se contenta com a superficialidade. Busca detalhes. É questionadora e atuante.

Tem no seu histórico muitas lutas pelos nobres ideais.

Percorreu mundos em busca de realizar-se internamente.

Tem muito que contar desde as Américas ao Timor.

Dona de rica imaginação, dentro dela existem mundos e mundos sem fim.

Sua destreza com as mãos lhe permite ir desde as festas infantis, passando nos tempos atuais por formas geométicas em acrílico, pequenas esculturas com massinha, e o tricô, por que não?

Como jornalista e escritora tem o dom da palavra, sabe expressar, sabe escrever, sabe relatar fatos e situações com habilidade incrível.

Goza também do dom da clareza para interpretar os fatos e fazer reflexões valiosas.

Suas obras revelam sua forma simples, profunda e elegante de expressão.

Nesta oportunidade estamos apresentando um fragmento de uma de suas obras, do livro “Reflexões”:


ALVORECER

“Quando surge o alvorecer e o céu despeja as primeiras luzes sobre a manhã, inicio em Ti uma nova jornada. Tu te levantas para um novo dia, esquecido daquele que passou e na maioria das vezes nem te lembras de Meu Nome.

Quando o alvorecer se faz presente em tua vida, ganhas um novo tempo de recomeçar. Não o que está perdido, no passado, mas o que está à frente. Ganhas uma nova oportunidade de te colocares em Ordem, de começares a fluir através de Meu Amor; de te deixares Guiar por Minha Luz.

Quando amanhece, Amanheço contigo, em teu coração. Respiro contigo exalando a Divina Graça em teus pulmões. Não percebes mas Estou ali a cada segundo, tornando tua Vida diferente e única.

Quando clareia e Inicio algo em ti, és o Único Filho que tenho, és a razão mais importante de existir a Vida. És aquele em quem Deposito todas as Minhas Esperanças.

Então, desde que glorifiques a Mim o dia, Começamos Juntos esta renovada jornada. Do contrário, te afastas de Mim e terei que esperar por outro dia, um novo Alvorecer.”


15/06/2009

MEU ENCONTRO

A espera de anos se dilui em milésimos de segundo.
Com uma intensidade profunda.
Toda minha consciência e corpo despertam.
Ao Glorificar o Pai,
vivo a Unidade,
Ser uma e una com o todo,
reconheço o profundo Amor do Pai por mim e por toda a criação, por todos os meus irmãos, até então desconhecidos.
Sinto o Amor de todos os seres me confortando.
Isso muda tudo, a vida, o meu mundo, o mundo e o universo.

Desperto e vejo que existe um Pai a ser glorificado,
Um mundo de Beleza e Verdade,
Um mundo de Justiça e Paz,
Um mundo que existe aqui e agora, imprimindo sentido à vida,
a minha vida

Pai, graças por me permitir viver isso.

O começo,
Em minha volta tudo parece organizado,
Uma vida que corre certinha dentro do planeta terra
Dentro de mim, um desconforto e escuridão imensa de me sentir separada e sozinha.

Recordo a sensação de ser una, de ser irmã, de ter um Pai,
um Pai de Amor
Recordo que em mim existe a semente divina.
A confusão vira uma ficção,
Já é possível acreditar em um mundo novo,
governado por novas Leis,
A Lei do Amor.

Percebo que tudo começa com o Perdão,
ele dilui a dor e a tristeza,
traz Luz e Compreensão.

É um longo caminho de revisão
Sinto-me assistida e abençoada
Onde vou me liberando
E vivendo um novo mundo.
Os primeiros passos

Há em mim tanto contentamento pelo que estou vivendo e descobrindo agora,
Quero contar para todos que existe um mundo lindo,
Que o Pai é meu amigo,
Que tenho muitos, mas muitos irmãos
Que eu sou parte do todo
Que eu não estou mais sozinha.
É uma imensa alegria.

Percebo que minhas palavras não traduzem o que eu estou vivendo,
É melhor calar e trabalhar em silêncio.
Há muito a construir em mim.
Qual será meu próximo passo?

O Perdão me trouxe a Compreensão do que eu mais preciso - a Clareza.

30/05/2009

Apresentando Ana Maria Amorim Teles


Ana Maria elegeu as experiências na familia - em suas funções de filha, irmã, mãe e esposa - e as de natureza profissional para caminhar rumo à expressão de sua Alma.

Teve seu encontro com a Luz Interna, como os revela em seu livro de participação no "ALVORADA O DESPERTAR DA ALMA" e caminha paciente e com constância rumo à consolidação desse encontro, rumo ao encontro consigo mesma.

Amante da arte e da beleza, Ana Maria é fina. E a elegância de seu estilo é emprestada a tudo que faz.

Sabe fazer belo. E bem feito.

Sabe fazer com o recurso que tem disponível o que decide fazer para realizar seus anelos.

Provou da arte de decorar, da arte de jardinagem e paisagismo. Experenciou administrar sua empresa, vivenciou ser sócia.

Agora está se conhecendo como Professora.
Professora de Filosofia.

Certamente é uma função que realiza com dedicação e cumprimento. Mas principalmente com alegria.

Como dona de casa é conhecida e admirada pela organização e sentido do que é útiel e necessario para o funcionamento de uma casa.

Poucas são tão organizadas e práticas, simples e elegantes em como organiza o espaço pra sua familia e amigos.

Pureza, dedicação, cumprimento, organização, alegria e elegância são os traços mais evidentes que marcam o seu caráter.

Inocência é a marca de fundo que a transparência de sua Alma deixa à mostra.

Deu o nome de MEU ENCONTRO a seu livro, editado e publicado como parte do Alvorada, onde relata de uma forma genuína o que encontrou em sua busca espiritual.

Para apresentá-lo e representá-o neste blog foi eleito o texto a seguir.

A decisão

Há tantos fragmentos de mim
Preciso me harmonizar e avançar
Avançar agora exige decisão.
A decisão de ir ao encontro do Pai.
A decisão de entregar
De compartilhar
De ser parte do todo
De cooperar com o todo
De Ser no todo Ser que é o Pai
De Amar

O Pedido
A entrega pressupõe um pedido
Meu pedido ao meu Pai

Pai,
que a Ordem seja estabelecida em mim,
que Teu Discernimento me guie
para que eu possa valorizar a Verdade,
para que eu possa enxergar a Realidade,
para que eu esteja consciente do Teu Amor Divino.

02/05/2009

Teresa Santa Cruz

MUSICA DOS PILARES -

Nesta segunda postagem dedicada a apresentar Teresa e sua participação no livro Alvorada - O Despertar da Alma, elegemos os seguintes "cantos" para representar sua proposta de Música aos Pilares:


Música à Unidade
Unidade

Sinto a unidade quando não me vejo mais à parte,
Mas quando estou por toda parte
Vejo mais do que você me diz
Sigo o que meu corpo captou
Das milhões de perguntas que você me lançou

Se eu puder responder
Algo que sua alma queira saber
Já vou me dar por satisfeito
Por ter feito, uma comunicação
Que custa um tempão

Nos unimos nesse instante
Nossa amizade nos invade
Aumenta nossa compreensão
de tudo aquilo que parecia desconexão

De repente tudo faz sentido
Unifica-nos nessa vastidão do universo em expansão.



Músicas ao Pilar da Irmandade
Irmandade II

Saber que todos somos irmãos
Conquistar essa realidade no coração
Nem todo mundo consegue de imediato
Ampliar sua mente de fato
Vais precisar de paciência porque todos acreditam nessa tal de carência
As circunstâncias vão continuar e nenhuma garantia elas vão me dar
O único que posso mudar é o meu sentir, em relação ao existir
Amplio-me quando passo a me irmanar, com todos que eu passo a me encontrar
Um sorriso, uma amorosidade que deixo me atravessar
e assim vou seguindo esse plano que deixara embaixo dos panos.


Músicas à Paz
Paz II

Pacifica, sai logo dessa briga
Concilia as confusões
Essas cheias de emoções

Os gostos vão sempre se chocar
Abdique, não reivindique
Deixe passar esse tumulto que só tende a aumentar

Tua atitude me traz quietude
Me dá paz e me refaz



Músicas ao Agradecimento
Agradecimento III

É interessante pensar
ver a mudança no ar
viagens, abordagens amolecem qualquer rancor
que procure se perpetuar pelo nosso ditador

Ampliar, reconfigurar, desmantelar qualquer conceito
que tende a se dogmatizar

são vários tempos que a vida traz e sinto
os cheiros produzem imagens que formam vínculos
entre mundos distantes, alguns dissonantes

Às vezes preciso me acalmar
Para sentir a neutralidade a emanar
De tudo aquilo que é belo e sabe se entregar
Ao mistério da vida sem ao menos duvidar
De que Deus É eles e está em todo o universo

Obrigada, Vida, por me propiciar
Todos os caminhos que me levaram
A desfrutar essa plenitude mansa do Ser que aqui está.

15/04/2009

Apresentando Teresa Santa Cruz



Falar da Teresa é falar de ecletismo. Mas também de reserva...

É falar de arte, mas também de pragmatismo...

É falar de academicismo, mas também de espiritualidade...

Teresa é a própria diversidade...

Poderia até ser imprevisível, mas se mostra moderada na ação.

Assim é como sua singularidade se traduz em beleza.

Beleza que vem da sua essencialidade e que se emana, inclusive, no tom e textura da pele, no brilho repousante e travesso do olhar... no falar integrado com os gestos das mãos...

Às vezes deixa murchar seu contentamento como uma flor não regada com água fresca... mas que renasce com a primeira chuva.

Tudo isto pode descrevê-la, mas creio que ela é mais arte...
Que se entrega como professora ...

Sobre seu livro

Teresa Santa Cruz participa no livro ALVORADA com dois diferentes volumes: "Cartas ao Pai e aos Irmãos" e "Música aos Pilares".

Nesta postagem apresentaremos suas "Cartas ao Pai e aos Irmãos".

Aqui a autora revela-se na decisão de encontrar as vias para relacionar-se assertivamente com o divino; na ânsia de elevar-se, de liberar-se para o Amor. E com esta liberdade, relacionar-se com os seus semelhantes.

Dentre as cartas elegeu-se a que segue como representante do que se vislumbrou no conteúdo de seu livro. Desfrutem-na.



Querido Deus

Nunca tinha imaginado Conhecê-lo aqui mesmo, nessa vida, nesse corpo, nesse instante. Sempre o imaginava distante, ausente, desconhecido, inalcançável.
Você era a promessa adiada de tão ocupada que eu estava. Depois que...
De uns anos para cá, comecei a querer compreender como é isso de eu ser Tua filha, sem mesmo eu Te conhecer.
Sentia falta e não sabia do quê.
Pedia virtudes para viver, pedia liberação, pedia...
Um dia comecei a rever se o que eu pedia era verdadeiro, queria saber se estava fazendo as perguntas certas.
Então percebi que a maneira de pedir conservava sutilezas. Me lembrei do Absoluter, onde há o agradecimento, o recebimento e a afirmação em mim daquilo que foi desejado.
Compreendia que o receber é afirmar como potência aquilo que se deseja. Percebi que o único que mantenho em mim do passado são lembranças e que nunca são realmente aquele momento, são atualizações no presente do que foi vivido no passado. E essa memória é viva, ela muda o olhar sobre o passado de acordo com o que estou querendo rever. Existe um memória repetitiva e estéril também. Percebo-a quando alguém ou eu mesma conto uma estória de forma automática, como uma velha vestimenta, sem muito propósito, o sentimento que acompanha essa recordação é o descompasso, a repetição.
Nada do que vivi, do que li, do que sei, do que sou está fixado em mim, permanente como um sólido, parado totalmente. Essa sensação de impermanência me assustou, queria certezas, queria chegar. Chegar aonde?
Aos poucos fui entendendo que a minha forma de pensar, a estrutura com a qual baseava meu raciocínio, me levava a uma linearidade, uma temporalidade onde o fim era o meu foco. O fim como um ter algo. Chegar a algo.
Fiquei pensando: as pessoas que conheço e eu mesma, quando chego a algo – a conclusão de um projeto, a aquisição de um objeto – eu não os penso ou sinto como um fim, eles são sempre meios para que eu esteja bem.
Então, eu quero estar bem. O que é estar bem? Se não são as coisas que posso possuir ou as virtudes que posso ter, então o que me faz bem?
Descobri que não se trata de possuir, que meu problema ao pensar no devir era imaginá-lo como conquistas materiais ou de qualidades da alma. Querer ter tais e tais qualidades, relacionamentos ou coisas, tudo me projetava para um futuro, mas fazia meu presente ser vivido como falta, como privação.
No desejo de que eu venha a ser algo, sem perceber eu me adio. Coloco longe o dia que serei e assim esqueço que não se apreende bondade, leveza, coragem. As virtudes são em nós, se atualizam ou não de acordo com nossa permissão.
Quanto nos permitimos não controlar as situações, sem estar totalmente inconscientes delas?
O estado que desejamos atingir é um estado de baixa oscilação. A palavra que acho que melhor ilustra essa imagem é atravessar. Quando compreendemos que somos passageiros nessa vida, quando compreendemos que nossos “eus”, nossos corpos são transitórios, isso nos habilita a nos esforçarmos para aumentar em nós a única coisa que é sem mesmo nós desejarmos, a vida. A vida é em mim. Eu estou viva antes mesmo de ter consciência da vida em mim.
A vida que é potência e ação simultaneamente é Deus, És Tu Mesmo. Ele contém em si mesmo tudo que existe. E tudo que existe habita o Deus, que vai sendo infinitamente em nós. O que não somos é por medo, por equívoco. Esforçamo-nos tanto para manter a vida previsível, sob certas condições, que na maioria das vezes perde-se o tom, e o que era precaução se torna medo e prisão.
Mas se somos potencialmente infinitos, porque não posso fazer tudo?
O ser é ilimitado, mas o ser em nós só se expressa dentro de limites. Do contrário não haveria linguagem, não haveria humanidade, seríamos anjos.
A materialidade do mundo, o corpo que nos habituamos, suas convenções e sua mortalidade, fazem nossas personalidades crer que finalizam aqui. Mas a alma é imortal, ela é junto Contigo essa vida anterior e posterior à própria humanidade.

Compreender que o ser necessita de limites para atuar em nós nos conforma, nos dá forma. Nos inclui no mundo visível que é sustentado pelo mundo invisível. Nossos desejos passam para uma outra categoria, porque já somos, já agimos.
Quais são então as ações do ser? Aonde elas nos levam?
Nossas ações são tarefas coordenadas com o mundo invisível, são pleitos para acionar em sincronicidade com o plano da humanidade e do planeta Terra. O que desejo já se aproxima da realização, porque meu desejo é ser atravessado por Ti Pai, sendo virtuosa Contigo, comungo do devir hoje mesmo.
Tu, Pai, me usas e deixando-me habitar em Teu amor, aprendo também a usar-me, a usar a matéria como travessia. E de repente o mundo inteiro está disponível, está aberto para interagirmos. As pessoas, os caminhos, a terra se abre, se prontifica para que se cumpra Seu propósito.
Todos anseiam funcionar. Todas as pessoas que conheço desejam viver em uníssimo com a vida que lhes circunda. Os dias que tudo flui valem por anos de espera. Cobrem todo o vazio com um sentido interno e eterno, que faz a vida ser digna. Mas, por que não sentir essa conexão diariamente?
É uma questão de constância consigo mesmo. Não encontraremos fora a atualidade de nossa recordação. O outro nos ajuda, nos inspira. Mas é sozinho que precisamos atingir a Fonte que nos proverá sentido. A missão é essa capacidade de se servir, de responder aos questionamentos de minha alma, é buscar a resposta, é ser fiel a si mesmo, como canal, delegar poder e glória a Ti Pai e saber que ao vivermos sob Tuas Leis, a missão se cumpre, porque usaremos nossas personalidades, nossa matéria, a matéria do mundo para aumentarmos nossa potência de ser Contigo, nos aproximando do tempo em que nos ocuparemos apenas de Sermos.
Enquanto humana ainda viverei mais intensamente esse dia de hoje, onde eu sou a vida, a presença inumana daquilo que eu sou.



* * *

30/03/2009

EM BUSCA DA LUZ QUE "EU SOU"

Por Zilney Barbosa.


Nesta segunda postagem de Em Busca da Luz que EU SOU, é bom aclarar que o livro está composto de 10 partes.
Cada parte está baseada na visão de vida desenvolvida até a data, no conhecimento adquirido sobre o tema e na correspondente experiência, ainda que iniciante.

1. Apresentação
2. Quem Sou Eu?
3. De Onde Venho?
4. Onde Estou?
5. Aceitando-me.
6. Reconhecendo-me.
7. Experiências da Alma.
8. Experiências de Irmandade.
9. Sabio Uso do Tempo.
10. Para Onde Vou?

A matéria desta postagem está no conteúdo da "Parte 7. Experiências da Alma".
Constitui-se de um poema que relata uma experiência de encontro com a beleza, em um ambiente onde aparência externa representa um mero um pano de fundo.
Sendo o ponto central é a própria beleza.
O poema apresentará melhor a idéia e a experiência do que quaisquer palavras explicativas.
Assim, segue o poema "Encontro com a Beleza".

ENCONTRO COM A BELEZA

Que inusitado poderia parecer-me
Que aqui, neste meio de mundo,
Neste ermo árido e desabitado,
Nesta solidão de quilômetros -
Onde até as árvores se vêem poucas
E as flores se traduzem em minúsculas orquídeas
escondidas junto às pedras -
Eu encontraria rara beleza.

Olho do outro lado do rio de águas cor de ferrugem,
Onde o sapé ralo mal cobre a colina,
forrada de pedras brancas, partidas em pequenos pedaços,
e de uns tantos cristais de quartzo.
Nada aqui chama particularmente a atenção...
Nem mesmo a frondosa mangueira

Ou a solitaria palmeira,
Que bravamente sobrevivem,
perto do quase casebre.
Entretanto,
à medida em se passam os dias,
aos poucos, dentro de mim,
abrem-se os olhos que vêem a Beleza.
Beleza que está além das aparências.

E então, já não me é possível descer
Às três da tarde para o rio
sem plenar-me com a unidade dourada
do sol e do capim ressequido ao meu redor.

E é impossível não me extasiar
com o silencioso ruído das águas do rio,
reconfortante, caindo nas pedras ou
deslizando suavemente nas poças...
em direção a tantos outros rios...

Acocoro-me à beira d’água,

Inclino a cabeça e
Vejo-me aí refletida,
e toda a paisagem também está refletida.
Meu coração reconhece esta unidade
E minha alma, alimentada e agradecida,
se entrega à Beleza que a tudo permeia.

Graças eternas e infinitas,
O Ser que EU SOU.